Domingo, 2 de maio de 2010, 3:15 h
Subitamente, acordei uma da madrugada. Liguei a TV e para o meu deleite estava passando o ALTAS HORAS, ano 10. Meu Deus, quanta cultura e informação útil eu recebi! Ainda em relação ao programa ALTAS HORAS, entre os diversos assuntos abordados, o que mais me chamou a atenção foi a questão do Bullying. Já tinha visto uma reportagem da revista Mundo Jovem, um jornal de idéias (Ano 48 nº 405, ABRIL 2010, pág. 14). Serginho Groisman expôs que o programa a partir de então estaria promovendo uma campanha contra o Bullying. Um homem da platéia se manifestou, disse que era professor de cursinho e que estava acostumado a lidar com jovens, e que a campanha deveria abordar também a questão do PRECONCEITO, muitos professores disseminam o preconceito e a discriminação através de piadinhas sobre homossexuais, loiras, português, nordestino e por aí vai... Sugestão pertinente, acredito que a essência do Bullying é o preconceito e a discriminação, a partir daí que surge esta prática que é tão antiga quanto a própria escola.
Segundo a matéria da revista Mundo Jovem, um jornal de idéias, o termo estrangeiro Bullying é utilizado para denominar um conjunto de atitudes agressivas, intencionais e repetitivas que ocorrem sem motivação evidente (pra mim é muito evidente, discriminação e preconceito, não aceitar as diferenças), adotado por um ou mais alunos contra outro (s), causando dor, angústia e sofrimento. A família tem um papel decisivo no desenvolvimento psíquico das crianças e dos adolescentes. É na família que acontecem as primeiras experiências sociais e são vivenciados valores que influenciarão as futuras relações estabelecidas por estes indivíduos. As crianças passam a reproduzir o modelo educativo familiar com o qual foram criadas. Percebe-se que, muitas vezes, o aluno que agride é vítima de um contexto familiar agressivo, tendo a violência como modelo e referência de relacionamento.
Costumo dizer que a família é uma forma de “I treinamento” para que o indivíduo tenha noção de como a sociedade funciona, sendo a escola o “II treinamento”. É na família que o indivíduo, cidadão em formação, tem, ou deveria ter o primeiro contato com regras de convivência. Com minha mãe aprendi a respeitar aos demais, aprendi que há horários e prazos a serem cumpridos, tarefas a serem executadas, aprendi a lidar com perdas, com vitórias, com as limitações no orçamento que impede que você tenha tudo o que quer. Aprendi a compartilhar os meus brinquedos, lá em casa era um vilotrol para três, depois, uma bicicleta rosa para três. Em casa você têm pessoas que te amam e que buscam compreender os seus erros, que são tolerantes até que você aprenda o correto.
No “II treinamento” as coisas começam a estreitar. A escola é uma minicidade. Na escola você tem que conviver com um número maior de pessoas. Nesse meio é preciso ser cultivado valores como a amizade, tolerância, solidariedade respeito, e cooperação. A competitividade constitui-se numa forte marca da nossa sociedade. Esta prática também é inerente ao contexto escolar e pode, muitas vezes, ser observada na prática pedagógica, no sistema de avaliação e na forma de utilização de seus resultados. A instituição de uma prática competitiva no contexto escolar pode gerar situações de agressão, entre elas o bullying, pois leva necessariamente à vitória de alguns alunos e à exclusão de outros. Considerando estes aspectos, a prática competitiva pode ser considerada uma violência da instituição escolar contra crianças e adolescentes, fazendo com que queiram sempre os melhores de qualquer jeito, mesmo assumindo práticas antissociais.
Outra coisa que defendo é o incentivo a criação Grêmio Estudantil nas escolas desde cedo, visto que é nele que a criança aprenderá o que é democracia, mas este assunto é pra outro post. É urgente que o bullying seja olhado não mais como um comportamento comum e inofensivo entre estudantes, mas como um fenômeno silencioso e violento que pode deixar marcas irreversíveis no psiquismo de indivíduos ainda muito jovens. Estudos no mundo todo mostram que, se o bullying não for contido em indivíduos ainda jovens, pode se instalar como comportamento aceitável e utilizado na resolução dos conflitos na vida adulta, levando-os a atitudes mais violentas. É preciso criar uma cultura contra o bullying e não contra os bullies (praticantes de bullying). Afinal, estes também são, em sua essência, resultados de um contexto de violência e, portanto, vítimas. A educação não é o único caminho para o combate ao bullying, mas é, sem dúvida, o mais importante, tanto pelo seu papel formador como pelo poder multiplicador que possui.
Serginho Groisman pode contar comigo! A matéria da revista Mundo Jovem, um jornal de idéias é muito interessante, leiam.

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